
Sempre ouvi que numa sociedade capitalista como a nossa, consumiamos produtos de última geração, sapatos, roupas e acessórios da última coleção, carros recém-lançados, coisas de todos os tipos. Mas consumir pessoas até que se tornem produtos, isso nunca é falado.
Porém, temos visto jovens e pessoas nem tão jovens assim, consumindo pessoas numa única noite. A quantidade é muito mais importante que conhecer verdadeiramente alguém ou sequer saber seu nome (identidade de qualquer ser humano). A idéia do consumo aqui está irraizada de forma até inconsciente para evitar qualquer tipo de envolvimento. Até porque, quando se busca conhecer mais sobre as "especificações" daquela pessoa, aguça-se a curiosidade, fugindo consequentemete da idéia da descartabilidade. Até porque quando se consome rápido e fácil demais, se descartar na mesma proporção.
Isso não vem ocorrendo apenas nas relações humanas, infelizmente!Mas em todos os ramos da sociedade é possivel ver esse tipo de prática. Por exemplo, em uma que fui submetida esse mes, que várias pessoas passam por isso diarimanente, que é no mercado de trabalho.
Pessoas de todos os segmentos e classes sociais são descartadas pelas empresas que trabalharam e se dedicaram, por pouco ou muito tempo, por razões mais variadas possíveis. No meu caso, a justificativa foi: "Você é uma de nossas melhores funcionárias, mas não faz parte do nosso quadro a partir de hoje por questões políticas." Posso pensar em vários problemas que essas e outras instituições vem passando, tanto interna quanto externamente, porém, tratar um funcionário como simples peça de uma engrenagem, me fez reviver o modelo fordista em pleno século 21.
A falta de cuidado com o funcionário e, principalmente com o ser humano é marcante e visível. Mas o que me assusta de fato é perceber esse consumismo e discartabilidade com as pessoas na área de saúde mental, onde os profissionais deveriam estar buscando reverter esse quadro, principalmente pelo fato de acreditarem e trabalharem pela saúde do ser humano. Porém, para que isso ocorra, esses profissionais deveriam estar se submentando a tratamento psicológico e/ou terapêutico. Coisa que nem sempre ocorre!
Então fica a pergunta... Onde está a doença nesse caso? No paciente ou na Instituição através dos profissionais de saúde? Como essas pessoas são capazes de tratar àqueles que precisam?
Hoje, após minha passagem por uma instituição como essa, consigo perceber o quanto cuidar e buscar um acompanhamento paralelo e adequado me excluiu desse funcionamento. E isso sem dúvida, me fez a maior beneficiária no caso dessa demissão.
Infelizmente levamos tempo pra perceber quem é o saudavel na história, ma tenho certeza que vocês chegarão e essa conclusão como de fato eu cheguei.
Sou uma pessoa muito mais feliz hoje.
Até!